Conheça os principais protocolos de rede e seus usos!

Principais Protocolos de Rede|
Pedro Tebaldi Autor: Pedro Tebaldi PM do KeepGreenEdnilson Correa Revisão técnica: Ednilson Correa SRE
Publicado jan/2019Atualizado set/2026

Para que seja possível uma comunicação entre computadores é necessário que algumas regras sejam estabelecidas. Esse conjunto de normas e padrões que definem como se dará esse contato é conhecido como protocolos de rede.

Gostaria de saber mais sobre o assunto? Neste artigo explicaremos o que são os protocolos de rede e abordaremos mais a fundo os seus principais tipos. Continue a leitura e confira!

 

O que são protocolos de rede?

Protocolos de rede são os conjuntos de normas que permitem que duas ou mais máquinas conectadas à internet se comuniquem entre si. Funciona como uma linguagem universal, que pode ser interpretada por computadores de qualquer fabricante, por meio de qualquer sistema operacional.

Eles são responsáveis por pegar os dados transmitidos pela rede e dividi-los em pequenos pedaços, que são chamados de pacotes. Cada pacote carrega em si informações de endereçamento de origem e destino. Os protocolos também são responsáveis pela sistematização das fases de estabelecimento, controle, tráfego e encerramento.

Existem três elementos-chave que definem os protocolos de rede. São eles:

  • sintaxe: representa o formato dos dados e a ordem pela qual eles são apresentados;
  • semântica: refere-se ao significado de cada conjunto sintático que dá sentido à mensagem enviada;
  • timing: define uma velocidade aceitável de transmissão dos pacotes.

 

Quais são os principais tipos de protocolos de rede?

Para que a comunicação entre computadores seja realizada corretamente, é necessário que ambos os computadores estejam configurados segundo os mesmos parâmetros e obedeçam aos mesmos padrões de comunicação.

A rede é dividida em camadas, cada uma com uma função específica. Os diversos tipos de protocolos de rede variam de acordo com o tipo de serviço utilizado e a camada correspondente. Conheça a seguir as principais camadas e seus tipos de protocolos principais:

  • camada de aplicação: HTTP, HTTPS, SMTP, Telnet, FTP, SSH, NNTP, RDP, IRC, SNMP, POP3, IMAP, SIP, DNS;
  • camada de transporte: TCP, UDP, RTP, DCCP, SCTP;
  • camada de rede: IPv4, IPv6, IPsec, ICMP;
  • camada de ligação física: Ethernet, Modem, PPP, FDDi.

Duas entradas aparecem com frequência em listas desse tipo: WWW e ping. No entanto, nenhuma das duas é um protocolo. A primeira nomeia um serviço, a World Wide Web, que na rede se traduz em HTTP. O segundo é um utilitário de teste. Isto é, o que ele coloca no cabo é ICMP, protocolo de camada 3.

A captura abaixo mostra os dois lado a lado. O laboratório roda Alpine 3.22.5 com tcpdump 4.99.5, medido em 3 de setembro de 2026. Repare que o ping não usa porta nenhuma. Por outro lado, o acesso à página abre conexão TCP na porta 80 antes de falar HTTP.




terminal
# o que o ping coloca no cabo
$ ping -c 3 172.31.0.10
64 bytes from 172.31.0.10: icmp_seq=1 ttl=64 time=0.360 ms

$ tcpdump -i eth0 -n icmp
IP 172.31.0.20 > 172.31.0.10: ICMP echo request, id 62025, seq 1, length 64
IP 172.31.0.10 > 172.31.0.20: ICMP echo reply, id 62025, seq 1, length 64

# a mesma maquina abrindo uma pagina: aqui existe protocolo de aplicacao
$ tcpdump -i eth0 -n 'tcp port 80'
IP 172.31.0.20.33162 > 172.31.0.10.80: Flags [S], length 0
IP 172.31.0.10.80 > 172.31.0.20.33162: Flags [S.], length 0
IP 172.31.0.20.33162 > 172.31.0.10.80: Flags [.], ack 1, length 0
IP 172.31.0.20.33162 > 172.31.0.10.80: Flags [P.], length 75: HTTP: GET / HTTP/1.1
IP 172.31.0.10.80 > 172.31.0.20.33162: Flags [P.], length 144: HTTP: HTTP/1.0 200 OK

Na prática, a diferença aparece na hora de investigar. Por isso, quem procura por “protocolo ping” no analisador de tráfego não encontra nada: o filtro que traz resultado é icmp.

Selecionamos neste artigo 21 dos principais tipos de protocolos de rede para analisarmos mais a fundo. Vamos conhecê-los nos tópicos seguintes.

 

1. IP

O protocolo IP, do termo em inglês Internet Protocol (Protocolo de Internet) faz parte da camada de internet e é um dos protocolos mais importantes da web. Ele permite a elaboração e transporte dos pacotes de dados, porém sem assegurar a sua entrega.

O destinatário da mensagem é determinado por meio dos campos de endereço IP (endereço do computador), máscara de sub rede (determina parte do endereço que se refere à rede) e o campo gateway padrão (permite saber qual o computador de destino, caso não esteja localizado na rede local).

 

2. TCP/IP

Trata-se do acrônimo de dois protocolos combinados. São eles o TCP (Transmission Control Protocol, ou Protocolo de Controle de Transmissão) e IP (Internet Protocol, ou Protocolo de Internet).

Juntos, são os responsáveis pela base de envio e recebimento de dados por toda a internet. Essa pilha de protocolos é dividida em 4 camadas:

  • aplicação: usada para enviar e receber dados de outros programas pela internet. Nessa camada estão os protocolos HTTP, FTP e SMTP;
  • transporte: responsável por transportar os arquivos dos pacotes recebidos da camada de aplicação. Eles são organizados e transformados em outros menores, que serão enviados à rede;
  • rede: os arquivos empacotados na camada de transporte são recebidos e anexados ao IP da máquina que envia e recebe os dados. Em seguida, eles são enviados pela internet;
  • interface: é a camada que executa o recebimento ou o envio de arquivos na web.

 

3. HTTP/HTTPS

O protocolo HTTP (Hypertext Transfer Protocol, ou Protocolo de Transferência de Hipertexto) é usado para navegação em sites da internet. Funciona como uma conexão entre o cliente (browser) e o servidor (site ou domínio).

O navegador envia um pedido de acesso a uma página e o servidor retorna uma resposta de permissão de acesso. Junto com ela são enviados também os arquivos da página que o usuário deseja acessar.

Já o HTTPS (Hyper Text Transfer Secure, ou Protocolo de Transferência de Hipertexto Seguro) funciona exatamente como o HTTP, porém, existe uma camada de proteção a mais. Isso significa que os sites que utilizam esse protocolo são de acesso seguro.

O protocolo HTTPS é comumente usado por sites com sistemas de pagamentos. Esse tipo de site depende de proteção que garanta a integridade dos dados, informações de conta e cartão de créditos dos usuários.

A segurança é feita por meio de uma certificação digital, que cria uma criptografia para impedir ameaças e ataques virtuais.

 

4. FTP

Significa Protocolo de Transferência de Arquivos (do inglês File Transfer Protocol). É a forma mais simples para transferir dados entre dois computadores utilizando a rede.

O protocolo FTP funciona com dois tipos de conexão: a do cliente (computador que faz o pedido de conexão) e do servidor (computador que recebe o pedido de conexão e fornece o arquivo ou documento solicitado pelo cliente).

Em operação, o FTP aparece sobretudo em integração entre sistemas e em envio de arquivo para equipamento legado. O protocolo trafega credencial e conteúdo em texto claro. Por isso, a recomendação atual é substituí-lo por SFTP ou FTPS sempre que a outra ponta permitir.

 

5. SFTP

SSH File Transfer Protocol (Protocolo de Transferência de Arquivos por SSH) transfere arquivos dentro de uma sessão SSH, com uma camada de proteção que o FTP não oferece.

Nele, a troca de informações é feita por meio de pacotes com a tecnologia SSH (Secure Shell, ou Shell Seguro), que autenticam e protegem a conexão entre cliente e servidor. O usuário define quantos arquivos serão transmitidos simultaneamente e define um sistema de senhas para reforçar a segurança.

 

6. SSH

SSH (Secure Shell, já citado acima) é um dos protocolos específicos de segurança de troca de arquivos entre cliente e servidor. Funciona a partir de uma chave pública. Ela verifica e autentica se o servidor que o cliente deseja acessar é realmente legítimo.

O usuário define um sistema de proteção para o site sem comprometer o seu desempenho. Ele fortifica a segurança do projeto e garante maior confiança e estabilidade na transferência de arquivos.

 

7. SSL

O protocolo SSL (Secure Sockets Layer, ou Camada de Portas de Segurança) permite a comunicação segura entre os lados cliente e servidor de uma aplicação web, por meio de uma confirmação da identidade de um servidor e a verificação do seu nível de confiança.

Ele age como uma subcamada nos protocolos de comunicação na internet (TCP/IP). Funciona com a autenticação das partes envolvidas na troca de informações.

A conexão SSL é sempre iniciada pelo cliente, que solicita conexão com um site seguro. O browser, então, solicita o envio do Certificado Digital e verifica se ele é confiável, válido e se está relacionado ao site que fez o envio. Após a confirmação das informações, a chave pública é enviada e as mensagens podem ser trocadas.

 

8. ICMP

Sigla para Internet Control Message Protocol (Protocolo de Mensagens de Controle da Internet). Esse protocolo autoriza a criação de mensagens relativas ao IP, mensagens de erro e pacotes de teste.

Ele permite gerenciar as informações relativas a erros nas máquinas conectadas. O protocolo IP não corrige esses erros, mas os mostra para os protocolos das camadas vizinhas. Por isso, o protocolo ICMP é usado pelos roteadores para assinalar um erro, chamado de Delivery Problem (Problema de Entrega).

 

9. SMTP

Protocolo para transferência de e-mail simples (Simple Mail Transfer Protocol) é comumente utilizado para transferir e-mails de um servidor para outro, em conexão ponto a ponto.

As mensagens são capturadas e enviadas ao protocolo SMTP, que as encaminha aos destinatários finais em um processo automatizado e quase instantâneo. O usuário não tem autorização para realizar o download das mensagens no servidor.

 

10. TELNET

Protocolo de acesso remoto. É um protocolo padrão da Internet que permite obter uma interface de terminais e aplicações pela web. Fornece regras básicas para ligar um cliente a um intérprete de comando.

Ele tem como base uma conexão TCP para enviar dados em formato ASCII codificados em 8 bits, entre os quais se intercalam sequências de controle Telnet. Assim, fornece um sistema orientado para a comunicação bidirecional e fácil de aplicar.

 

11. POP3

Acrônimo para Post Office Protocol 3 (Protocolo de Correios 3). É um protocolo utilizado para troca de mensagens eletrônicas. Funciona da seguinte forma: um servidor de email recebe e armazena mensagens. O cliente se autentica ao servidor da caixa postal para poder acessar e ler as mensagens.

Assim, as mensagens armazenadas no servidor são transferidas em sequência para o computador do cliente. Quando a conexão é encerrada, as mensagens ainda são acessadas no modo offline.

 

12. DNS

O DNS (Domain Name System, ou Sistema de Nomes de Domínio) traduz nomes legíveis por pessoas em endereços IP. Quando alguém digita um endereço no navegador, é o DNS que descobre a qual servidor aquele nome corresponde.

A consulta acontece em cadeia: o computador pergunta ao servidor recursivo, que consulta os servidores raiz, depois os responsáveis pelo domínio de topo (.br, .com) e, por fim, o servidor autoritativo do domínio. A resposta fica em cache pelo tempo definido no TTL, o que evita repetir a busca inteira a cada acesso.

Opera principalmente sobre UDP na porta 53, com retorno para TCP em respostas grandes. Falha de DNS costuma ser percebida pelo usuário como queda da internet, ainda que a rede esteja intacta. Um teste de ping direto no IP separa os dois casos em segundos.

Esse retorno para TCP é observável. No laboratório, uma resposta de 807 bytes não coube no datagrama UDP. Dessa forma, o servidor devolveu o pacote com o bit TC ligado e o cliente repetiu a consulta inteira em TCP.




terminal
$ dig @172.31.0.10 grande.labprotocolo.test TXT +noedns
;; Truncated, retrying in TCP mode.

$ tcpdump -i eth0 -n 'port 53'
# a pergunta vai em UDP e volta cortada. O "|" e o bit TC ligado
IP 172.31.0.20.44369 > 172.31.0.10.53: 52597+ TXT? grande.labprotocolo.test. (42)
IP 172.31.0.10.53 > 172.31.0.20.44369: 52597*| 0/0/0 (42)

# o cliente abre TCP e refaz a consulta inteira
IP 172.31.0.20.45642 > 172.31.0.10.53: Flags [S], length 0
IP 172.31.0.10.53 > 172.31.0.20.45642: Flags [S.], length 0
IP 172.31.0.20.45642 > 172.31.0.10.53: Flags [.], ack 1, length 0
IP 172.31.0.20.45642 > 172.31.0.10.53: Flags [P.], length 44  9156+ TXT? grande.labprotocolo.test. (42)
IP 172.31.0.10.53 > 172.31.0.20.45642: Flags [P.], length 809  9156* 1/0/0 TXT (807)

A consequência aparece no firewall. Quem libera apenas a porta 53 em UDP quebra toda resposta grande. Ainda assim, o sintoma engana, porque a maioria dos nomes continua resolvendo normalmente.

 

13. UDP

UDP (User Datagram Protocol, ou Protocolo de Datagrama de Usuário) é o irmão simples do TCP. Ele envia os pacotes sem estabelecer conexão prévia, sem confirmar o recebimento e sem reordenar o que chega fora de sequência.

Essa ausência de controle é justamente a vantagem: sem handshake e sem retransmissão, o UDP entrega com menos atraso e menos sobrecarga. É a escolha natural para voz sobre IP, streaming de vídeo, jogos online, DNS e SNMP, casos em que um pacote perdido incomoda menos que um pacote atrasado.

O preço é que a aplicação precisa lidar sozinha com as perdas, quando isso importa.

Essa economia é mensurável. A mesma consulta de DNS, resolvida no mesmo servidor, custou 2 pacotes em UDP e 10 em TCP. Ou seja, dos dez, apenas dois levam a pergunta e a resposta: os outros oito abrem, confirmam e encerram a conexão.




terminal
# a consulta em UDP: pergunta, resposta, acabou
$ dig @172.31.0.10 app.labprotocolo.test +notcp
IP 172.31.0.20.55136 > 172.31.0.10.53: 32106+ A? app.labprotocolo.test. (39)
IP 172.31.0.10.53 > 172.31.0.20.55136: 32106* 1/0/0 A 172.31.0.10 (55)
--> 2 pacotes

# a MESMA consulta forcada em TCP
$ dig @172.31.0.10 app.labprotocolo.test +tcp
Flags [S]   <- abertura
Flags [S.]  <- abertura
Flags [.]   <- abertura
Flags [P.], length 41  58844+ A? app.labprotocolo.test. (39)
Flags [.]   <- confirmacao
Flags [P.], length 57  58844* 1/0/0 A 172.31.0.10 (55)
Flags [.]   <- confirmacao
Flags [F.]  <- encerramento
Flags [F.]  <- encerramento
Flags [.]   <- encerramento
--> 10 pacotes, dos quais 2 carregam a pergunta e a resposta

 

14. DHCP

DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol, ou Protocolo de Configuração Dinâmica de Host) permite que um dispositivo entre na rede e receba um endereço IP sem ninguém configurar nada à mão.

O processo tem quatro etapas, conhecidas pela sigla DORA: o cliente envia um Discover em broadcast, o servidor responde com um Offer, o cliente pede aquele endereço com um Request e o servidor confirma com um Ack.

Junto do IP vêm máscara de sub-rede, gateway padrão e servidores DNS. Cada concessão tem prazo de validade, o lease. Quando ele expira sem renovação, o endereço volta para o pool disponível. Esgotamento de faixa e conflito de IP são as duas falhas mais comuns em rede corporativa.

 

15. ARP

ARP (Address Resolution Protocol, ou Protocolo de Resolução de Endereços) faz a ponte entre o endereço lógico e o endereço físico. Dentro de uma rede local, saber o IP de destino não basta: é preciso descobrir o endereço MAC da placa correspondente.

O funcionamento é direto. A máquina pergunta em broadcast para toda a rede quem responde pelo IP 192.168.0.10. Só o dono responde, informando o seu MAC. O par fica guardado por alguns minutos numa tabela local, a tabela ARP.

Por não ter autenticação, o protocolo é vulnerável ao ARP spoofing, em que um invasor responde no lugar do dono legítimo para interceptar o tráfego. No IPv6, a função equivalente cabe ao NDP.

 

16. NTP

NTP (Network Time Protocol, ou Protocolo de Tempo para Redes) sincroniza o relógio dos dispositivos de uma rede com uma fonte de tempo confiável.

Os servidores são organizados em camadas chamadas stratum: o stratum 0 é a fonte física, como um relógio atômico ou um receptor GPS; o stratum 1 se conecta diretamente a ela; os demais vêm na sequência. O protocolo mede o atraso de ida e volta e ajusta o relógio local de forma gradual, em vez de dar um salto.

Parece detalhe, mas relógio dessincronizado quebra a correlação de logs, invalida certificado TLS e atrapalha autenticação. Numa investigação de incidente, dois servidores com horários diferentes tornam a linha do tempo inútil.

 

17. TLS

TLS (Transport Layer Security, ou Segurança da Camada de Transporte) é o sucessor do SSL e o que efetivamente protege as conexões hoje. Apesar de SSL continuar sendo o termo mais usado no dia a dia, todas as versões dele estão obsoletas: o que roda em produção é TLS 1.2 ou TLS 1.3.

Ele atua entre a aplicação e o transporte e garante três coisas: confidencialidade, porque o conteúdo é cifrado; integridade, porque não pode ser alterado no caminho sem que se perceba; e autenticidade, porque o certificado digital comprova que o servidor é quem diz ser.

O TLS 1.3 encurtou o handshake para uma única viagem de ida e volta e removeu os algoritmos considerados frágeis, o que tornou a conexão ao mesmo tempo mais rápida e mais segura.

 

18. BGP

BGP (Border Gateway Protocol, ou Protocolo de Roteamento de Borda) é o protocolo que mantém a internet conectada. Enquanto os protocolos internos cuidam do caminho dentro de uma organização, o BGP decide por onde o tráfego passa entre sistemas autônomos diferentes.

Ele não escolhe a rota mais curta em distância, mas a melhor segundo um conjunto de políticas: quantidade de sistemas autônomos no caminho, preferência local e acordos comerciais entre operadoras.

Por depender de confiança entre pares, um anúncio errado se propaga rápido. Episódios de indisponibilidade global de grandes serviços já tiveram origem em configuração equivocada de BGP.

 

19. OSPF

OSPF (Open Shortest Path First, ou Primeiro o Caminho Mais Curto Aberto) é o protocolo de roteamento interno mais usado em redes corporativas de porte.

Diferente dos protocolos que apenas contam saltos, o OSPF monta um mapa completo da topologia. Cada roteador anuncia o estado dos seus enlaces, todos constroem a mesma visão da rede e calculam o melhor caminho pelo algoritmo de Dijkstra, considerando o custo do enlace.

Redes grandes são divididas em áreas, com a área 0 servindo de espinha dorsal. Quando um enlace cai, a convergência é rápida, porque cada roteador recalcula a rota a partir do mapa que já tem em mãos.

 

Protocolos de monitoramento de rede: SNMP, NetFlow e sFlow

Os três protocolos a seguir existem para uma finalidade diferente da dos anteriores. Em vez de transportar o dado do usuário, eles transportam o dado sobre a rede: estado do equipamento, volume por fluxo, amostra de pacote. São a matéria-prima de qualquer painel de disponibilidade ou de consumo de banda.

 

20. SNMP

SNMP (Simple Network Management Protocol, ou Protocolo Simples de Gerência de Rede) é o protocolo pelo qual roteadores, switches, servidores, no-breaks e impressoras informam o próprio estado a uma ferramenta de monitoramento.

Cada dispositivo mantém uma base de dados chamada MIB, na qual cada informação tem um identificador único, o OID. O sistema de monitoramento consulta esses OIDs periodicamente, com as operações GET e WALK. O dispositivo também avisa por conta própria quando algo sai do normal, por meio de uma trap.

A versão 3 acrescentou autenticação e criptografia, ausentes nas versões 1 e 2c, que trafegam a community string em texto claro. Ainda assim, é comum encontrar ambiente em produção usando public como community.

 

21. NetFlow e sFlow

NetFlow e sFlow não transportam dados de aplicação: eles exportam informação sobre o tráfego que já passou. São a base de qualquer análise de quem está consumindo a banda.

O NetFlow, criado pela Cisco, agrupa pacotes em fluxos que compartilham origem, destino, portas e protocolo. O resumo vai para o coletor quando o fluxo termina. O IPFIX é a versão padronizada pelo IETF.

Já o sFlow trabalha por amostragem: captura um pacote a cada N e envia continuamente, o que pesa menos no equipamento e responde mais rápido, ao custo de precisão nos fluxos pequenos.

Na prática, o NetFlow costuma ser preferido para contabilização e cobrança; o sFlow, para visibilidade em tempo real em redes de alta velocidade.

 

Protocolos de rede por camada do modelo OSI

Todo protocolo pertence a uma camada. Saber qual é a camada muda a forma de diagnosticar um problema.

O modelo OSI (Open Systems Interconnection), padronizado pela ISO e publicado também como recomendação X.200 da ITU-T, divide a comunicação em sete camadas. É o vocabulário que a área de redes usa para se entender.

Na prática, a internet não roda sobre o OSI, mas sobre a pilha TCP/IP, que agrupa as mesmas funções em quatro camadas. O OSI continua sendo a referência: quando alguém diz que o problema é de camada 3, está usando a numeração do OSI.

 

Camada O que faz Protocolos principais
7Aplicação Interface com o software que a pessoa usa HTTP, HTTPS, FTP, SFTP, SMTP, POP3, IMAP, DNS, DHCP, SNMP, SSH, Telnet, NTP, LDAP, SIP, RDP, MQTT
6Apresentação Traduz, comprime e cifra o conteúdo TLS, SSL, MIME, ASCII, JPEG
5Sessão Abre, mantém e encerra o diálogo entre as pontas NetBIOS, RPC, PPTP, SOCKS
4Transporte Entrega fim a fim, com controle de fluxo e de erro TCP, UDP, SCTP, QUIC, DCCP
3Rede Endereçamento lógico e escolha da rota IPv4, IPv6, ICMP, IGMP, IPsec, OSPF, BGP
2Enlace Endereçamento físico e detecção de erro no meio Ethernet, ARP, PPP, VLAN (802.1Q), STP
1Física Transmite o sinal elétrico, óptico ou de rádio 802.3 (Ethernet), 802.11 (Wi-Fi), DSL, RS-232

 

A correspondência com o TCP/IP é direta: as camadas 5, 6 e 7 do OSI viram uma única camada de aplicação; a 4 vira transporte; a 3 vira internet; a 1 com a 2 viram a camada de acesso à rede.

Saber a camada encurta o diagnóstico. Um erro de camada 2 impede que dois equipamentos vizinhos se enxerguem. Um de camada 3 faz o pacote sair e não chegar. Um de camada 7 mostra a aplicação respondendo errado com a rede intacta. Localizar a camada antes de investigar economiza a maior parte do tempo.

Cada uma dessas falhas tem assinatura própria. Para registrá-las, provocamos no laboratório um defeito em cada camada e capturamos o resultado. Assim, a tabela reúne o que o comando devolveu e o que passou no cabo em cada caso.

 

Camada O que o comando devolve O que aparece no tcpdump Onde está o defeito
2Enlace 100% de perda no ping e ip neigh marcando FAILED ARP, Request who-has repetido, sem uma única resposta O vizinho não responde no segmento. Nenhum pacote IP chega a ser montado
3Rede ping: connect: Network unreachable, imediato Nenhum pacote. A captura fica vazia Falta rota na origem. O erro nasce na própria máquina, antes de qualquer transmissão
4Transporte curl: (7) Failed to connect ... after 0 ms Um [S] respondido na hora com [R.] O host está vivo, a porta não. Serviço parado ou firewall configurado para rejeitar
7Aplicação HTTP/1.0 500 Internal Server Error Handshake completo, GET /erro HTTP/1.1 e a resposta de volta A rede entregou tudo. O defeito está na aplicação ou no que ela consulta

 

O contraste entre a camada 3 e a camada 4 resume o método. Sem rota, o erro nasce na própria máquina e nenhum pacote chega a sair. Em contrapartida, com a porta fechada, o destino responde em microssegundos com um RST, prova de que ele está no ar.

 

Lista completa de protocolos de rede e suas portas

A tabela reúne os protocolos citados neste artigo e outros de uso corrente, com a camada a que pertencem e a porta padrão.

Portas podem ser alteradas na configuração: o valor indicado é o atribuído no registro oficial de portas da IANA.

 

Protocolo Nome completo Camada Porta padrão Para que serve
ARP Address Resolution Protocol Enlace (2) sem porta Descobre o MAC a partir do IP
BGP Border Gateway Protocol Rede (3) TCP 179 Roteamento entre sistemas autônomos
DHCP Dynamic Host Configuration Protocol Aplicação (7) UDP 67/68 Distribui IP automaticamente
DNS Domain Name System Aplicação (7) UDP/TCP 53 Traduz nome de domínio em IP
Ethernet IEEE 802.3 Enlace (2) sem porta Transporte em rede local cabeada
FTP File Transfer Protocol Aplicação (7) TCP 20/21 Transferência de arquivos sem cifra
HTTP HyperText Transfer Protocol Aplicação (7) TCP 80 Navegação web sem cifra
HTTPS HyperText Transfer Protocol Secure Aplicação (7) TCP 443 Navegação web cifrada
ICMP Internet Control Message Protocol Rede (3) sem porta Mensagens de erro e diagnóstico
IGMP Internet Group Management Protocol Rede (3) sem porta Gerencia grupos de multicast
IMAP Internet Message Access Protocol Aplicação (7) TCP 143/993 Lê e-mail mantendo a cópia no servidor
IPsec Internet Protocol Security Rede (3) UDP 500/4500 Cifra e autentica o tráfego IP
IPv4 Internet Protocol version 4 Rede (3) sem porta Endereçamento lógico de 32 bits
IPv6 Internet Protocol version 6 Rede (3) sem porta Endereçamento lógico de 128 bits
LDAP Lightweight Directory Access Protocol Aplicação (7) TCP 389/636 Consulta diretórios de identidade
MQTT Message Queuing Telemetry Transport Aplicação (7) TCP 1883/8883 Mensageria leve para IoT
NetFlow Cisco NetFlow / IPFIX Aplicação (7) UDP 2055 Exporta estatísticas de fluxo
NFS Network File System Aplicação (7) TCP 2049 Compartilha arquivos em ambiente Unix
NTP Network Time Protocol Aplicação (7) UDP 123 Sincroniza relógios
OSPF Open Shortest Path First Rede (3) sem porta Roteamento interno por estado de enlace
POP3 Post Office Protocol 3 Aplicação (7) TCP 110/995 Baixa o e-mail para o cliente
PPP Point-to-Point Protocol Enlace (2) sem porta Enlace ponto a ponto entre dois nós
QUIC Quick UDP Internet Connections Transporte (4) UDP 443 Transporte cifrado do HTTP/3
RDP Remote Desktop Protocol Aplicação (7) TCP 3389 Acesso remoto a área de trabalho
SCTP Stream Control Transmission Protocol Transporte (4) sem porta Transporte multifluxo, comum em telecom
sFlow sampled Flow Aplicação (7) UDP 6343 Amostragem contínua de pacotes
SFTP SSH File Transfer Protocol Aplicação (7) TCP 22 Transferência de arquivos sobre SSH
SIP Session Initiation Protocol Aplicação (7) TCP/UDP 5060 Sinalização de voz e vídeo
SMB Server Message Block Aplicação (7) TCP 445 Compartilha arquivos em ambiente Windows
SMTP Simple Mail Transfer Protocol Aplicação (7) TCP 25/587 Envia e-mail entre servidores
SNMP Simple Network Management Protocol Aplicação (7) UDP 161/162 Monitora dispositivos de rede
SSH Secure Shell Aplicação (7) TCP 22 Acesso remoto por linha de comando
SSL Secure Sockets Layer Apresentação (6) sem porta Antecessor obsoleto do TLS
STP Spanning Tree Protocol Enlace (2) sem porta Evita loop de camada 2
TCP Transmission Control Protocol Transporte (4) sem porta Entrega confiável e ordenada
Telnet Teletype Network Aplicação (7) TCP 23 Acesso remoto em texto claro
TLS Transport Layer Security Apresentação (6) sem porta Cifra a conexão, sucessor do SSL
UDP User Datagram Protocol Transporte (4) sem porta Entrega rápida, sem garantia
VLAN IEEE 802.1Q Enlace (2) sem porta Segmenta a rede local logicamente

 

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Monitoramento de protocolos de rede e tráfego

Além de conhecer os principais protocolos, muitas empresas precisam realizar o monitoramento da rede para que ela funcione da melhor forma possível. Para esta tarefa, existem muitas soluções que realizam o monitoramento da rede para, assim, evitar o desperdício de recursos.

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Redes & Tráfego

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Com a leitura deste artigo, conhecemos mais sobre o que são protocolos de redes e quais são os seus principais tipos. Graças a eles é possível realizar a comunicação entre diferentes tipos de computadores, sem que para isso seja necessária uma linguagem nova para cada um.

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Perguntas Frequentes

Qual é a diferença entre protocolo e porta?
O protocolo é o conjunto de regras que define como a conversa acontece; a porta é o número que identifica qual aplicação, dentro do mesmo equipamento, deve receber aquele tráfego. Um servidor pode responder HTTP na porta 80 e SSH na 22 usando o mesmo endereço IP.
Quantos protocolos de rede existem?
Não há número fechado. A IANA mantém mais de mil atribuições de porta e novos protocolos continuam sendo padronizados pelo IETF. Na operação do dia a dia, porém, algumas dezenas respondem por quase todo o tráfego. São essas que este artigo cobre.
Qual é o protocolo de rede mais usado?
O conjunto TCP/IP, que sustenta praticamente toda a internet. Entre os de aplicação, HTTP e HTTPS concentram o maior volume de tráfego, seguidos por DNS, que é consultado antes de quase toda conexão.
Qual é a diferença entre TCP e UDP?
O TCP estabelece conexão, confirma o recebimento e reordena os pacotes, garantindo a entrega. O UDP dispensa tudo isso: entrega mais rápido, com menos sobrecarga, mas sem garantia. TCP para transferência de arquivos e páginas; UDP para voz, vídeo e monitoramento.
Protocolo de rede é a mesma coisa que camada?
Não. A camada é a posição na arquitetura de comunicação: o modelo OSI define sete. O protocolo é a regra concreta que opera dentro de uma dessas camadas. O IP é um protocolo que atua na camada 3; o HTTP, um protocolo da camada 7.
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Estou na OpServices desde 2011, onde sou Gerente de Marketing e Product Manager do KeepGreen, plataforma de gestão de incidentes de TI que higieniza alertas, aponta causa raiz com IA, escreve o post-mortem e analisa custos de nuvem. Também lidero os projetos de governança de inteligência artificial da empresa. Escrevo neste blog desde 2013, com mais de 550 artigos publicados sobre monitoramento, observabilidade, SRE e ITSM. LinkedIn

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